Contra Ação #04 – Mas só você faz mesmo? (O mito da Originalidade Parte 01)

Texto de Iago Rodriguesjbjkdbs

A busca por ser original é inútil. Nesta busca, provavelmente como eu já fiz, a primeira que geralmente se fará é uma pesquisa mental onde pensará sobre o que não viu, ou que geralmente não vê, e a partir desta resumira a criação de um estilo moldado ao passo de nenhum passo e ao gosto de nenhum gosto. Caso se sinta confortável com estas formas de movimento, então não haverá nada a se questionar – se dança para si e para a diversão, não há de Oiapoque a Nova York argumento lógico pra questionar algum por que.

O problema  acontece com os dançarinos que praticam a pouco tempo ou os loucos aspirantes – como eu fui– a aventureiros a procura do estilo perdido, que usam um processo de eliminação de tudo o que acha comum para ser original! Curiosamente, eu chuto que todos já tiveram este problema, sentido como uma barreira criativa, o estar entre o não divertir pra querer ser e o querer fazer de qualquer jeito só por que faz bem – a vida é loka negoh.

Este processo criativo concede o selo: “pode fazer de boas campeão” para os dançarinos com mais tempo de casa – e este não é o meu caso -, quando buscam novas referências ou colocam novos soldados na linha de frente do combate a “Zona de Conforto”.

Deixa os profissionais pra lá. Vou contar o meu ponto de vista de como é realmente ser original?


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De fato existe alguma coisa original? Sabemos por aproximação que original vem de Origem. Quase exatamente pelo que eu sei, origem é ponto inicial no espaço ou tempo de um fenômeno qualquer. A próxima pergunta é sobre os dois sentidos mais comuns de origem e original, soará muito existencial, mas leitor meu, é importante pra você passar a rasteira na ideia e pega-lá. Podemos de fato definir onde algo se inicia? Existe algo que só se fez de si mesmo?

Respondendo as dádivas dúvidas, digo que algumas coisas sim, muitas e infinitas outras não. Podemos considerar que algo se inicia a partir do momento em que não existia nada igual a este algo, e então, ele surja. Também conhecido como nascimento.

Uma nova e inigualável coisa. Experiência que nunca se realizou e acaba de nascer. Como por exemplo, a sua Avó.

AvóNunca teve alguém no mundo como a sua avó. Podemos afirmar quando a sua vozinha nasceu – talvez não, burocracia não trabalha bem com internet, imaginem com papel, caneta e salário mínimo -, e a cidade onde ela nasceu. Então é o possível dizer onde as coisas se iniciam, masis, contudis, poremsis, entretantis a coisa complica quando eu pergunto de uma coisa não física, e que portanto, não tem um evento de nascimento, coisa que existe somente como ideia, é feita pela mente, então é feita de processos limitados pela capacidade de pensamento.

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Quando?

Diz-me ai parceiro, quando nasceu o Break dance ? – eu me envergonho de não saber responder no momento, portanto vou pesquisar e posto no próximo contra ação, é algo muito importante e olha que eu nem danço Break. Você até pode me falar um ano, mas consegue dizer exatamente onde tudo começou? Começou no Bronx, este passo que circulavam no Bronx realmente começaram lá ou vieram de alguma dança de 1900 e qualquer coisa e, esta dança a partir de alguma outras, e essa de outra e aqui vão três ponto pra dizer que esta outra veio de outras… O movimento é físico, contudo possível a partir de um pensamento, não do impulso na hora de execução, mas do fato que  você ser humano do século XXI, possa pensar em fazer um moinho de vento e um outro ser humano do século XV não? A resposta é a mesma do por que é possível que alguém do outro lado do atlântico, falante de outro idioma, com olhos que nunca te viram e boca que nunca te conversou,  também possa fazer um moinho de vento muito parecido com o seu.

Tiveram acesso a uma mesma informação, a um pensamento, a uma mesma ideia que só se possível através se transformações sociais, políticas, econômicas e biologias que acontecem com o ser humano a mais de 2.5000.000 milhões de anos (ou mais, sei lá), e ainda tem os bilhões de anos que fazerem o ser humano.

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Talvez o Break dance, o House dance, Popping, Locking, Freestyle e qualquer outra dança fosse possível um pouco mais cedo, mas não tão cedo. A sociedade tribal seria capaz de conceber o Air flare? Ou mais perto ainda, quantos movimentos foram criados desde que as danças urbanas nasceram e quantos desses seriam imaginados antes destas danças?

Toda ideia é feita por transformações, e com a dança que é feita pelos pensamentos não é nada de nada diferente. Pessoas podem ter a mesma ideia na mesma hora, coisa existente por que alguém já fez algo muito próximo desta ideia antes. Você faz, pois alguém já fez, e assim se sucederá.


Deixa esta questão de molho ai pro leitor. Na semana que vem neste mesmo canal, sempre ás segundas feiras, vem á segunda parte com o manifesto do piratão. E voltamos com a programação normal. (jovem,  o link abaixo não é putaria, procure ouvir a música até o final, temos uma ótima critica, e aproveite pra ouvir as outras músicas do “Quinto Andar”, um bom e diferente Rep).

Sou insistente, e vou continuar a fazer a maravilhosa Pergunta da Semana! Diz ai: Já viu alguma ideia sua na mídia sem ter contado a ninguém?

POP!

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